segunda-feira, 14 de abril de 2014

Como citar propriamente e impropriamente um paper ! Recomendo esse editorial do J. Phys. Chem. Lett.


http://pubs.acs.org/doi/pdf/10.1021/jz500430j

Blog completando 4800 postagens. Falta pouco para chegar em 5 mil. E estamos chegando em 2 milhões de acessos totais!

O blog, nos últimos meses (desde novembro do ano passado passado) estava com baixa quantidade de postagens e, consequentemente, reduzida quantidade de visitantes.

2014
Março = 29 posts e 24 mil acessos
Fevereiro = 24 posts e 22 mil acessos
Janeiro =14 posts e 20 mil acessos (mês com baixo ânimo de postar..)

2013
Dezembro = 12 posts e 22 mil acessos (mês complicado na minha vida pessoal...)
Novembro = 33 posts e 31 mil acessos
Outubro = 65 posts e 36 mil acessos
Setembro = 44 posts e 34 mil acessos
Agosto= 56 posts e 40 mil acessos

Mas estamos de volta com a média de 1000 acessos por dia (teve um bom aumento em relação ao mês passado). O blog voltou ao foco do debate sobre o "lado B" da ciência e educação superior.




domingo, 13 de abril de 2014

Conseguindo um diploma falso de doutor para ser promovido na universidade. Aconteceu aqui do lado, em Goiânia

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,mpf-denuncia-professor-universitario-que-fraudou-diploma-de-doutor,1151060,0.htm

A notícia é antiga, do dia 8 de abril, mas não deixa de ser interessante!

sábado, 12 de abril de 2014

Editorial do Estadão critica com veemência mais uma vez o programa Turismo sem Fronteiras, que na minha opinião não deveria nunca ter existido.

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,mais-um-fracasso-do-governo,1152770,0.htm

As primeiras citações de um artigo muito importante de nosso lab, de 2013

Aqui o link do artigo:
http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1095643313000986

Abaixo, as primeiras citações, todas de 2014. Interessante saber que a citação mais recente - um estudo sobre siris - é de autores do sul do Brasil!


Uma das citações foi bem legal, prestigiosa (a do Plos One):


Estamos terminando de escrever a segunda parte desse review-paper. Lá para junho ele deve ser submetido para publicação.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Impacto internacional da produção científica do Brasil em química cai ano após ano, de 2006 até 2012. Uma vergonha!


Na postagem de domingo passado mostramos que o impacto internacional dos papers de Pindorama (avaliado por meio das citações por paper -CPP- calculando a razão do CPP do Brasil com o CPP do 1o lugar do mundo), olhando (1) todas as áreas da ciência ou (2) apenas a biologia, mostrou uma melhora de 1997 até 2005, e depois disso cai vertiginosamente. Porém isso não acontece com os papers da Argentina (que melhorou nos últimos 10 anos) e nem do Chile (que apresentou melhora em 2012) - olhando nesses casos todas as áreas da ciência juntas.

Clique no link do post que estamos nos referindo:
http://cienciabrasil.blogspot.com.br/2014/04/e-o-impacto-relativo-das-pesquisas-do.html

Pois analisamos a química nacional agora. Há uma certa estabilidade de 1997 até 2006 (sendo 2002 um ano atípico), e depois cai, e cai muito até 2012. O interessante é que na química não há apenas 1 ou 2 países que ficam em 1o lugar e termos de CPP, mas vários (Singapura, EUA, Dinamarca, Holanda e Suíça - entre 1997 e 2012).


Aqui o link para os número de química em 2012.
http://www.scimagojr.com/countryrank.php?area=1600&category=0&region=all&year=2012&order=cd&min=500&min_type=it

E por que isso acontece (a queda)? Não sei - pressa de publicar, talvez. A velocidade de produção de papers por ano (a tangente) em química não teve grande variação ao redor de 2006 (ano que o impacto internacional começa a cair), pelo contrário. De 2007 em diante a velocidade de aumento cai! Ver gráfico abaixo:

Vejam agora como se dá o crescimento dos papers de biologia (cujo impacto internacional foi mostrado no post de domingo passado - clique aqui). Similar ao que verificou na química, há duas fases distintas. Uma primeira fase de lento crescimento que vai até 2005. Uma segunda fase de grande velocidade de crescimento, entre 2006 e 2012 (há um imenso pulo na quantidade de papers entre 2005 e 2006!). Como podemos ver, a tendencia da biologia é oposta ao da química, que na 2a fase reduz a velocidade de produção, enquanto que na biologia há um aumento.

O curioso é que nos dois casos, o impacto internacional dos papers cai (e muito!) na segunda fase. A queda na química começa em 2006 e a queda na biologia em 2005.

Fonte: http://www.scimagojr.com/countrysearch.php?area=1600&country=BR&w= (quimica)
http://www.scimagojr.com/countrysearch.php?area=1100&country=BR&w= (biologia)

terça-feira, 8 de abril de 2014

Self-publishing - uma forma alternativa de publicar seus próprios trabalhos sem a intermediação de editoras. Texto de um leitor do blog

Olá Marcelo,
Muito obrigado pela oportunidade de contribuir com ideias aqui. Para todos casos mencionados e detalhes existem exemplos, mas que posso citar como comentários.

Hoje em dia existe uma insatisfação crescente quanto ao sistema de publicação cientifica, destacando-se como temas mais debatidos o Peer Review, Open Acces, erros/fraudes na literatura cientifica, Publish or Perish, e o Fator de Impacto.

Uma mudança se faz necessária, e mudanças raramente ocorrem de forma brusca, normalmente passando por estágios intermediários e paralelos. Eu proponho aqui discutir uma mudança consciente no paradigma, que acredito que esteja já ocorrendo e que pode ser acelerada.

O sistema atual sendo criticado é lento e corrupto, baseado em editoras ambiciosas sustentada por cientistas ávidos por autopromoção: editores manipuladores, revisores ineficientes e autores sobrecarregados. Neste, a verba e conhecimento partem do publico para o privado, e falta transparência. A pressão constante por publicar artigos alimentaria o sistema, incentivando a fraude. A busca por popularidade dos artigos desqualifica a divulgação de resultados ambíguos ou negativos, ou seja, o corpo de qualquer investigação, sendo assim os relatos publicados parciais e deturpados.

A existência de intensas redes sociais de cientistas permite hoje uma rapidez de trocas de informações que jamais seria imaginada uma década atrás. Em poucos minutos qualquer cientista pode conseguir artigos, consultar especialistas, e se pronunciar sobre qualquer artigo publicado para toda a comunidade cientifica sem precisar de intermediários nem esperar.

A popularização do post-publication peer review tem revelado falhas evidentes no peer review tradicional, que se mostra hoje um filtro lento e de qualidade ineficiente. Por outro lado, assistimos o surgimento de uma grande quantidade de editoras e revistas emergentes para dar vazão ao enorme número de manuscritos exigido pelo sistema produtivista. Algumas destas revistas tem sido seriamente questionadas por qualidade ao mesmo tempo em que apresentam fatores de impacto relativamente elevados.

O aumento do número de editoras se deve a facilidade de se publicar em formato digital na rede. Esta facilidade aliada aos acordos escondidos entre editores e autores e descaracterização do peer review permitem que se publique qualquer coisa rapidamente. Isto gera um número crescente de artigos publicados diariamente ao passo que nossa capacidade de leitura permanece igual.

Em suma, hoje um artigo publicado em uma respeitada via tradicional pode ser invalidado em poucas semanas, frustrando inúmeros cientistas buscando verba e tempo para direcionar e publicar seus próprios artigos. Os parâmetros de julgamento tradicionais para filtrar a literatura pertinente para fundamentar os próprios projetos andam sendo desmentidos rapidamente.

Penso que intermediários tem sido suprimidos, e podem ainda ser mais, de forma declarada e consciente, diminuindo os dilemas atuais da publicação cientifica. Temos tido problemas com intermediários, ruído de fundo.

Deveria ser encorajada a publicação de manuscritos e dados brutos pelos autores diretamente em bases padronizadas, onde ferramentas de buscas rápidas permitam instantaneamente recuperar todos artigos em um assunto, local, pesquisador, palavras chaves, listando todos comentários de PPPR. Desta forma, artigos sairiam num formato mais universal, sem falsos atestados de qualidade e os autores ficam diretamente responsáveis pelo conteúdo. No fim, a reputação de locais e grupos de pesquisa passa a ser mais fácil de avaliar, e valendo mais do que a imagem e interesse de editoras.

Em um sistema de livre publicação por conta e risco, reduz-se o uso deturpado do fator de impacto e a crítica constante e intensa dos leitores limitaria naturalmente o nível e o número de artigos. Com o foco na análise aberta e constante em uma base unificada, aumentara o peso de cada artigo sobre a imagem de um grupo de pesquisadores e suas instituições.

O mesmo sistema pode ser usado como base para cadastrar e avaliar projetos de pesquisa para financiamento, eliminando o uso ainda mais corrompido nacional de revisores ad hoc locais.

Pode parecer uma mudança radical, mas se olharem com calma podem perceber como um pouco disto já está acontecendo aos poucos. Acredito que qualquer passo direto nesta direção tende a representar um grande avanço no momento.

No médio prazo, a ciência precisa funcionar para continuar existindo investimento de tempo e dinheiro, e por isso o sistema naturalmente auto-corrige.



Atenciosamente,

Leitor do blog
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Sugestão de leitura:
http://www.the-scientist.com/?articles.view/articleNo/32550/title/Opinion--Transparency-in-Science-Publishing/

domingo, 6 de abril de 2014

E o impacto relativo das pesquisas do Brasil (me referindo aos nossos papers) cai mais uma vez, comparando 2011 com 2012. Tem sido ladeira abaixo desde 2005!

Oi pessoal
Ano passado eu havia publicado post sobre o acompanhamento do impacto relativo da pesquisa brasileira, entre 1997 e 2011. Isso foi feito comparando as citações por paper (CPP) do Brasil em comparação com a CPP do 1o colocado de cada ano (é sempre Suíça ou Dinamarca). Verificamos que o impacto relativo de nossa pesquisa (em todas as áreas da ciência, juntas) teve uma melhora entre 1998 e 2005, e depois cai - e cai vergonhosamente!

Cliquem aqui para ver o post de março de 2013 - e o gráfico.

Só para dar um exemplo de como foi feito (relembrando): pegamos os valores de CPP do Brasil e da Suíça (1o lugar em 2005) e dividimos um pelo outro, e chegamos no valor de impacto relativo. Em 2005 - nosso melhor ano - estávamos com 47,7% do impacto das pesquisas da Suíça. Como chegamos nesse valor? O CPP do Brasil naquele ano foi 11,49 e o da Suíça foi 24,09. Daí, a razão de 11,49 com 24,09 dá 0,447 - ou seja, 47,7% do impacto do 1o lugar.

E qual a novidade este ano? A novidade é que caímos ainda mais em 2012 (lembrando que no post passado cobrimos até 2011). O impacto relativo de 2011 foi de 35,9%, e o de 2012 caiu para 34,0%. Ou seja, estamos chegando a apenas um terço do impacto das pesquisas do 1o lugar! E o motivo disso? É o que sempre venho dizendo - há anos bato nessa tecla: Estamos publicando papers DEMAIS (too many!). Crescimento exagerado faz que baixe a qualidade (regra básica para produtos não industriais). Nossos papers estão sendo cada vez menos citados se os comparamos ao 1o lugar do mundo.


Importante veririficar que o gráfico produzido este ano é um pouco diferente do que fiz ano passado. Isso porque os papers antigos não param de ser citados. Por exemplo,os valores de CPP de 2011 eram minúsculos na avaliação feita em 2013. Agora em 2014, os valores de CPP de 2011 são bem maiores.

Mas isso é assim em todos os países em desenvolvimento? Fizemos ano passado uma análise do Chile e Argentina. O impacto relativo das pesquisas do Chile não para de cair (analisamos até 2011 - veremos abaixo o que aconteceu em 2012). Apesar dessa queda, os valores de impacto dos papers do Chile são SEMPRE superiores ao do Brasil. O gráfico abaixo faz a comparação até 2011 (essa análise foi feita em 2013).


Mas no caso da Argentina acontece o oposto. Eles melhoraram em relação ao passado. Ver gráfico abaixo, que cobre o período de 1997 até 2011.


Nossos números foram coletados no site Scimago, que usa dados do Scopus. Aqui o link para os valores de citações e publicações de 2012 em todas as áreas da ciência.

http://www.scimagojr.com/countryrank.php?area=0&category=0&region=all&year=2012&order=cd&min=10000&min_type=it

Observem (no link acima) que estamos na posição 37 dentre os 42 países que publicaram pelo menos 10 mil papers em 2012. O CPP do Brasil foi de 0,32 e o do 1o lugar (Suíça) foi de 0,94. O valor de CPP da Argentina (na posição 24) foi de 0,55- ou seja, 58,5% do impacto do 1o lugar.

Em tempo: Resolvi ver o que acontece com o impacto da pesquisa dos "hermanos", comparando 2012 com 2011. Há uma melhora! Em 2011 (dados coletados em 2014) era 53,7% do 1o lugar, passando para 58,5% em 2012. Mesmo com a crise econômica crônica, os pesquisadores estão fazendo um bom trabalho!

No caso do Chile, o impacto relativo em 2011 foi de 57,6% do 1o lugar, e em 2012 passou para 66,0% !! Uau, um grande aumento ! Se olharmos o gráfico do Chile (acima) podemos notar que havia uma pequena tendencia a um aumento de impacto comparando 2011 com 2009. O dado atual confirma que realmente melhoraram, que notícia boa !

Mais uma coisa:  Decidi olhar uma área em específico. A da biologia (que inclui publicações em agricultura - de acordo com a base da dados Scimago). E vejam que interessante: segue o mesmo perfil do gráfico de todas as áreas da ciência juntas. Há uma melhora (pequena) de 1997 até 2005, sendo seguido por uma queda acentuada até 2012 !


quarta-feira, 2 de abril de 2014

Ganhador no Nobel radicado no Brasil? É mesmo?


A mensagem abaixo veio de um leitor anônimo:

A Folha de São Paulo se refere a um pesquisador membro do IPCC, radicado no Brasil, como “ganhador do Prêmio Nobel” - http://www1.folha.uol.com.br/serafina/2014/03/1431548-para-ganhador-de-premio-nobel-cheias-no-norte-e-secas-no-sudeste-estao-conectadas.shtml

No entanto, como diz o próprio IPCC, nenhum de seus membros pode se atribuir (ou ser atribuído) como “ganhador do Prêmio Nobel” http://judithcurry.com/2012/10/26/week-in-review-102712/

Aqui vai o trecho relevante da mensagem do IPCC:

“The prize was awarded to the IPCC as an organization, and not to any individual associated with the IPCC. Thus it is incorrect to refer to any IPCC official, or scientist who worked on IPCC reports, as a Nobel laureate or Nobel Prize winner. It would be correct to describe a scientist who was involved with AR4 or earlier IPCC reports in this way: “X contributed to the reports of the IPCC, which was awarded the Nobel Peace Prize in 2007.”

Portanto, é um erro afirmar que um cientista X ou Y é ganhador do prêmio, de acordo com o próprio IPCC.. O curioso é o que próprio cientista em questão coloca a distinção, concedida ao IPCC, como um de seus próprios “prêmios e títulos” em seu CV Lattes http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&id=K4780291H9
Interessante, não?

Maiores informações sobre o imbróglio envolvendo um cientista americano, membro do IPCC, que se auto-referia como "Nobel Prize winner" e que foi desautorizado pelo comitê do Prêmio Nobel http://www.examiner.com/article/professor-mann-claims-to-win-nobel-prize-nobel-committee-says-he-has-not

 PS - o que é curioso é que a reportagem nem se preocupa em dizer que o Prêmio Nobel em questão é o da paz.... nada a ver com ciência...

segunda-feira, 31 de março de 2014

quarta-feira, 19 de março de 2014

Um artigo que recomendo a leitura sobre os efeitos da frutose em nosso metabolismo!


Um paper bem legal (e simples) sobre a bioquímica da frutose, que é o constituinte do açúcar (sacarose) que causa síndrome metabólica se ingerido em grande quantidade e por muito tempo. 

O autor, um pesquisador da Suiça, é um grande especialista no tema. http://www.biomedcentral.com/content/pdf/1741-7007-10-42.pdf



domingo, 16 de março de 2014

Recomendo a entrevista de um ex-aluno meu, endocrinologista dotado de um mega-brain, sobre a questão da obesidade !


http://www.youtube.com/watch?v=69B7yPxF_sk#t=14

A coisa está cada vez mais feia para o caso dos papers sobre as células STAP. É o espírito de Pindorama (da enganação) tomando conta do Japão?


http://news.sciencemag.org/asiapacific/2014/03/evidence-mounts-against-reprogrammed-stem-cell-papers

Post do site PeerPub sobre o caso das células STAP tem mais de 46 mil acessos !


https://pubpeer.com/publications/8B755710BADFE6FB0A848A44B70F7D#fb5975

A origem da queixa foi um post de um site de ciência, escrito logo depois da publicação dos papers sob suspeita:

http://www.ipscell.com/2014/01/review-of-obokata-stress-reprogramming-nature-papers/