domingo, 9 de setembro de 2007

Corrupção e fraude na ciência chinesa

O artigo abaixo, publicado em 2006, fala do caso da China, que quer ser uma super-potência científica da noite para o dia. As pressões para publicar em quantidade e fazer descobertas - ou invenções esplendidas - trazem o pior do caráter de muitos pesquisadores - a falta de ética e o imediatismo.
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Será que esta situação pode ser transladada ao Brasil? Temos uma pós-graduação e produção científica crescendo em "taxas chinesas" - de 10 a 15% ao ano. Será que a pressão das agências de fomento sobre nossa comunidade científica vai trazer esta praga da China? Ou será que ela já existe, e nosso orgulho, nos impossibilita de ve-la? Existe fraude na ciência brasileira? Somos imunes a isso? Se ainda somos, até quando? ... esta discussão fica para outro dia. Vamos ao artigo:
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China’s Phony Science
Exposing Corruption, Plagiarism, and Fraud
(published by The New Atlantis, Summer 2006)

The fall from grace of Chinese computer scientist Chen Jin made international headlines when, after being hailed as a national hero in 2003 for developing a powerful new microchip, he was fired from Jiaotong University for faking his findings, having appropriated a pre-existing microchip from Motorola. Less widely reported were the allegations earlier this year that Wei Yuquan, vice-president of Sichuan University and a member of the Chinese Academy
of Sciences, had fabricated data in two articles on cancer immunology. Pathologist Si Lusheng told the Christian Science Monitor that when he became suspicious and asked for evidence to verify the claims in Wei’s studies, he was refused and began to receive threatening phone calls.
“I got involved to warn younger scholars of the harm of falsifying research,” Si told the Monitor. “The faking is obvious, everyone knows it.”

Also not widely reported in the West is the case of Qiu Xiaoqing, a Sichuan University professor accused last year of faking research for a 2003 article in the major journal Nature Biotechnology; six of Qiu’s coauthors asked the journal to remove their names from the
article, saying they were “shocked by this scientific fabrication”
(...).

Nor is the case of Liu Dengyi well known outside of China. The vice president of Anhui Normal University, Liu was accused in 2005 of falsely claiming authorship of four papers in scientific
journals. Three of those papers never even existed. (...)

These stories have not attracted much attention in part because plagiarism and scientific fraud in China are simply not very newsworthy. They happen with surprising frequency as the country, undergoing a massive economic boom, turns its attention to scientific development. China’s research budget is set to quadruple in the next fifteen years, with the increased funding mostly directed into centralized “megaprojects” in high-profile fields such as nanotechnology, which a policy expert at the Chinese Academy of Sciences hopes will transform China “from the largest developing country to a world powerhouse,” and space exploration, which is a matter of intense national pride. (...)

Unfortunately, the work of some Chinese scientists has proven to be the opposite of innovative: sloppy,copied, or nonexistent. National hopes of becoming an overnight scientific superpower
have put pressure on Chinese scientists to produce breakthroughs at a rate that often seems to exceed the time and care necessary for responsible research.
Academic evaluations and funding allocation are often based on the volume of studies published, with little regard to their quality or real significance. (...)

To read the full PDF-text click below:
(para ler todo o artigo, clique abaixo)

3 comentários:

Dr. José Hamilton disse...

Como vão as coisas, Hermes?!

Minha opinião é que publicações não são suficientes para medir a qualidade científica. Acredito muito na necessidade das parcerias científicas e acadêmicas com a sociedade e iniciativa privada.

Abraço

Marcelo Hermes disse...

Recebi este email de um pesquisador amigo meu:
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E', meu caro, eu acho que cada vez mais vamos ficar sabendo de coisas deste tipo. A grande pergunta e' se a frequencia de atos "ilícitos" como estes está mesmo aumentando, ou se apenas eles estão vindo mais `a tona...

abraços

Anônimo disse...

venho aqui Marcelo fazer uma denuncia, eu fiquei chateada ao saber de como estao sendo julgados os processos de prorrogacao de bolsas CsF pos docs no UK CNPq. Nao 'e justo. O governo faz propaganda de 10000 bolsas para o UK em 4 anos (todos os niveis, graduacao, doutorado sanduiche, pleno e pos doc), a imprensa denuncia que sobra bolsas pois as pessoas nao alcancam a proficiencia minima no idioma.
em seguida, ha casos que as bolsas sao negadas inexplicavelmente (pelo menos um caso e a pesquisadora iria trabalhar com um expoente na area) e em seguida eu ouco que os assessores nao recebem os relatorios com o pedido de extensao e que sao tecnicos mandados (pelo alto cla) que verificam o lattes e renovam por 6 meses as bolsas.
Nao 'e no Brasil que se publica em um ano. Fiz mestrado e doutorado e eu sei.

Em algumas areas nao se publica nem em dois anos. At'e por isso temos bolsas de doutorado de tres anos.
Isso especialmente nas areas experimentalistas em Quimica e Biologicas 'e muito dificil publicar em meses, sem contar os processos de publicacao, minimo de 1 mes escrevendo, passar pela correcao do chefe do laboratorio, submeter, o referee ter pelo menos 1 mes para dar o parecer, voltar para no melhor da possibilidade ser aceito com pequenas correcoes ou maiores correcoes que requerem experimentos que nao terao resultados em 1 mes. O criterio de renovacao acredito que esquece que para publicar um artigo leve pelo menos 4 meses de trabalho se tudo der certo.
A ideia da bolsa do Ciencias sem fronteiras 'e de dar bolsas nas areas prioritarias com deficit no Brasil e que propiciem academicos aprenderem e desenvolverem projetos. Os projetos no geral acredito, nao possam ser realizadas no Brasil por falta de know how, falta de equipamentos ou at'e falta de pessoas nestas areas de conhecimento. Contudo o criterio de renovacao de bolsas leva em conta que o bolsista tenha resultados publicaveis em 8 meses esquecendo inclusive que o bolsista esta num pais novo e que tem um tempo para adaptacao ao pais, cultura e a universidade e idioma por mais que seja proficiente. A meu ver propicia a renovacao de bolsas de pessoas que fazem pequenos experimentos em trabalhos ja desenvolvidos no laboratorio estrangeiro que e contribuem experimentalmente e ganham co-autoria e nao publicacoes do projeto proposto.
Eu fico perplexa em ver que o meu governo julgar a renovacao de meus colegas conterraneos brasileiros sem levar em conta as diferencas nas diversas areas de conhecimento de pesquisa e grau de dificuldade.
Eu j'a ouvi de bolsas de graduacao em que os bolsistas brasileiros sao os novos mochileiros europeus mas os bolsas de doutorado e pos doc que conheco brasileiros conseguiram bolsas em universidades e laboratorios reconhecimentos mundialmente e ultilizam a oportunidade de modo correto ao meu ver e possuem suas extensoes sendo julgadas de modo burocratico e com criterios que me parecem pouco transparentes ou pouco justos, o CNPq deveria ter mais clareza e transparencia no processo. Hoje eu sei de dois casos, mas em breve serao muitos casos pois o programa somente chega a sua metade, tem mais dois anos pela frente. Estou perplexa.