terça-feira, 9 de outubro de 2007

Para que serve dar uma boa aula?

Olá pessoal,
Leiam a carta de um jovem pesquisador à revista Nature, publicada em 2007 (clique na imagem para ampliar). Ele descreve seu dilema entre o amor ao ensino (de geologia), dedicando-se a suas aulas e alunos, e a necessidade de se envolver mais com suas pesquisas. Para se obter um emprego de professor nos "states", não interessa muito se você é um ótimo "teacher", mas sim o seu potencial de pesquisa, de publicar e trazer grana para a instituição. .
Aqui em Pindorama, este dilema afeta quem já é professor. Pois ninguem no seu Departamento se importa se você vai para sala de aula e solta um pum (sendo o pum, o contéudo da aula!), ou se você dá uma aula maravilhosa, estilo Harvard (!). Então, porque se preocupar em dar uma boa aula?
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Aqui vai a nova pergunta do blog.
(lembram-se que agora estamos com uma proposta de blog interativo?)
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Para que serve se dedicar às aulas da graduação?
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Não somos demitidos (pelo menos nas universidades públicas) se nossa aula for uma porcaria. Tenho uma colega, professora do curso de medicina (não vou dizer de qual universidade) que dá a mesma prova há 15 anos. Isso, a mesma! Tenho um coutro colega, prof de um curso de Biologia de uma universidade federal, que prepara suas provas em 20 minutos. Isso mesmo, em 20 minutos escreve sua prova ! Seria este professor um gênio? Eu levo mais de 1 mês para preparar minhas provas (é que devo ser meio lentinho e burrinho... risos). Será então que dar uma boa aula serve apenas para o ego do professor? (ouvi isso mês passado de um colega, prof da UnB...)
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Aguardo os comentários !

6 comentários:

Anônimo disse...

Por isso que eu acho que deveriam haver posições para professores cuja função principal é apenas ministrar aulas.

Não acho que se deva tirar dos alunos o contato com os pesquisadores. Mas as disciplinas básicas importantes deveriam ser ensinadas por professores que tem o ensino como principal objetivo.

Talvez dê para equilibrar as coisas fazendo por exemplo a iniciação científica obrigatória para os cursos de ciência.

Anônimo disse...

O que importa na academia é pesquisa. Ou seja, publicar artigos em bom journals é o mais relevante. Aula é um forma de divulgação importante e uma das atividades fim da universidade, mas não é crucial para a carreira de um professor.

Anônimo disse...

Então, pelo que se disse anteriormente, temos que acabar é com a hipocrisia da indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão. O que é isso? Quem cumpre à íntegra isso? Coelgas, está na hora de irmos contra certos dogmas na universidade pública. Este é um deles. Também defendo a importância da sala de aula e das aulas da graduação. Mas o que dizer de uma reitoria que prefere espalhar pelo campus figuras de crônicas da UnB (cá entre nós, mais parecem com um corredor de jardim de infância, com aquelas figuras do Mickey, da Minie e do Pateta, dando as boas vindas para os aluninhos de 3 ou 4 anos), que disponibilizar salas de aulas em condiçôes de um bom trabalho. Quero dizer, quanto custaria colocar cortinas naqueles pavilhões que têm "breeze" fixos (certamente para atender a algum arquiteto que não sabe que ali estariam pessoas, estudantes e professores), ao invés de espalhar essas figuras patéticas pela Universidade? Acho que só pode ser para atender a uma mera necessiade de "marketing", ao pior estilo. REsumindo: considero aulas importantíssimas e de boa qualidade. pergunto: O que a reitoria tem feito nesse sentido? Parece até que as pessoas que não se incomodam com isso diriam, na ocasião da explosão das torres gêmeas, tomando um café numa rua ao lado: "é, parece que há alguma poeira em nosso café, hoje, não achas?" Vamos acordar, UnB.

Marcelo disse...

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Eu li seu post, e como hoje eu estudo em uma universidade publica, e sei que realmente existem (felizmente não todos) professores, que não estão nem aí em dar uma boa aula para os alunos de graduação. Isto porque eles estão mais interessados em fazer sua pesquisa, e por isso não se dedicam em preparar boas aula.
Eu como aspirante a professora, vejo também que muitos estão nesse curso, mas na realidade desejariam fazer outra coisa. E estes, se tiverem oportunidade, não irão seguir a Licenciatura.
O professor na realidade é sempre alguém, que fica oculto. Não se adquire grande fama sendo professor. Na hipótese de ser um bom professor ou um ruim, no máximo ficará na lembrança de alguns dos alunos.
As vezes quando eu digo que serei professora, as pessoas questionam porque eu escolhi isso. e argumentam que eu poderia fazer outra coisa. Acho que as pessoas em geral não conseguem enxergar a beleza que existe na educação.
É muito interessante quando conseguimos fazer com que outra pessoa entenda o que queremos ensinar. e daí ela começa a se modificar e as vezes até criar novos conhecimentos quando te surpreende como uma pergunta que você não sabe. Bom isso acaba sendo uma motivação pra buscar aprender cada vez mais. No entanto, eu sei que a profissão não é valorizada, e os professores estão sobrecarregados, e por isso acabam não tendo tempo para se atualizarem.

Então, entre ter que ser esforçar tanto, e não ser reconhecido, e se esforçar igualmente, mas ter algum reconhecimento, muitos não enxergam a docência como algo interessante.

Anônimo disse...

Pelo jeito ninguém se importa muito em publicar... hehehe

Frederico Flósculo disse...

Aparentemente, são duas habilidades distintas: dar aulas, criar explicações, relacionar-se com estudantes, estimular seu aprendizado, ter a enorme e inteligente empatia para com dezenas - em certos casos, centenas - de estudantes; implica em interessar-se por descobrir vocações e adaptar-se a estilos cognitivos de uma geração diferente da sua.
Por outro lado... pesquisar: ser capaz de dominar tão bem um assunto que a estruturação de pesquisas realmente inovadoras e relevantes é "natural", compulsiva. A "compulsão" de pesquisar exige concentração, foco, direcionamento, um impulso cheio de heróico abandono... e pode implicar em afastar-se de distrações, de demandas diversas - até de gente "no varejo" da graduação - para que o trabalho em profundidade, os longos e extraordinários mergulhos nas questões "de ponta" realmente tragam material intelectual de primeira qualidade. Bons pesquisadores são raríssimos, embora se diga, enganosamente, que "todo professor DEVE pesquisar". (Vão tentando, vão tentando, que o gerundismo ajuda, Arruda).
Colocando-se assim, "dar aulas" e "pesquisar" são habilidades que demandam perfis pessoais e profissionais praticamente OPOSTOS.
O sonhado professor-pesquisador, segundo minhas precárias observações, é MAJORITARIAMENTE superficial numa ou noutra habilidade: é um pesquisador de obviedades, uma dessas figuras que assombra e domina as estatísticas do CNPq com seus chuviscos-no-molhado, com escritos requentadíssimos, a que chama de pesquisas (se o CNPq aceita financiar, portanto é pesquisa !!!); Ou...
é um professor monótono, burocrático, desestimulado - e notoriamente detestado pelos estudantes. Leva para o fundo do poço dezenas, em alguns casos, centenas, de vocações que precisam urgentemente de estímulo inteligente, de professores vivos e comunicativos.
São duas carreiras distintas, a meu ver, mas que devem conviver na universidade. O problema é que não encontramos ainda A fórmula.
Vale uma pesquisa ou uma melhor reflexão ?