terça-feira, 31 de março de 2009

Sobre o "caso UFMG": Texto de Adriano Pimenta

Oi pessoal,
Recebi ontem esta mensagem do prof Adriano Pimenta, dando a sua versão no "caso UFMG", que envolve o jornal Estado de Minas.
.
Clique aqui para conhecer nosso último post sobre o tema.
.
Oi Marcelo !
Dê uma olhada nessa nota veiculada no site da UFMG: http://www.ufmg.br/online/arquivos/011503.shtml.
.
Sou testemunha deste processo e do fato de o Estado de Minas (EM) estar distorcendo os fatos de forma a incitar uma opinião que não é verdadeira sobre a(s) administração(ões) atual e passadas da UFMG e FUNDEP.
.
Sempre fui leitor do Estado de Minas (EM) e me espantou o fato de como a série de reportagens está sendo conduzida, com informações distorcidas e mesmo apócrifas como uma na qual a FAPEMIG havia favorecido uma bolsa baseada em nepotismo (veja a nota da FAPEMIG sobre fato... clicar aqui). Do pouco que você me conhece, deve saber que sou crítico deste governo e de várias de suas práticas e que sou defensor da ética e da transparência acima de tudo.
.
Se há irregularidades, que essas sejam investigadas e eventualmente punidas e não afirmo que não possa haver irregularidades nessa ou em outras administrações da UFMG ou FUNDEP, mas se houverem devem ser de fato investigadas com rigor e noticiadas com isenção e imparcialidade. E isso, posso afirmar, não está acontecendo por parte do EM.
.
Você escreveu em seu blog que o EM está fazendo uma cobertura investigativa "brilhante" e isso não é verdade. Não podemos confundir uma série de reportagens que são deliberadamente distorcidas, e que tem o claro objetivo de difamar, com cobertura brilhante. Para se ter uma idéia dessa distorção basta ver a capa do EM clamando pela liberdade de imprensa. Foi propositalmente desmedida e dissimulada.
.
O jornal se fez de vítima como arma e para chamar a atenção. Basta fazer um levantamento das reportagens e do numero de vezes em que a UFMG tentou uma resposta para verificar que não é verdadeiro o rotulo de "ameaça a liberdade de imprensa".
.
Insisto, Marcelo, que na cobertura de seu blog, você deva dar mais destaque aos fatos e não ao que diz o EM. Atacando a FUNDEP e a administração da UFMG – e não se trata de um reitor, mas de práticas de administração que vinham sendo reiteradamente elogiadas pelo TCU em anos anteriores, exatamente pela agilidade e zelo com os recursos públicos e que são também utilizadas por outras fundações e universidades federais – o EM e os interessados (??) irão engessar ainda mais nossas vidas.
.
O próprio TCU está revendo o acórdão (ver link aqui), bem como vários setores estão se mobilizando para revisarem tais processos (ver aqui). Não precisamos disso e você bem sabe. Espero ter dado a você um pouco mais do que realmente está acontecendo e reafirmar que a UFMG não está fugindo de suas responsabilidades e nem querendo calar órgãos de imprensa.
.
Que se apurem os fatos e coíbam práticas e pessoas ilícitas, mas não estraguem o que está funcionando, e bem (o que é raro nesse país)!
.
Um abraço,
Adriano Pimenta
Prof de Bioquímica da UFMG

12 comentários:

Anônimo disse...

Você é de qual mundo, cara pálida? Não vá me dizer que dos Petralhas... Ora, como Prof. de Bioquímica achei mesmo que você se espantaria com as tais "denúncias" do "jornal mineiro (tsc)". Fosse um órgão sério de imprensa e muitos, muitos mesmos, deveriam explicações mais claras e transparentes.

Anônimo disse...

Marcelo, recomendo muito cuidado nesse tema e você sabe que eu não tenho nenhuma ligação com universidades e fundações. Acontece que o TCU e alguns advogados da União tem adotado nos últimos tempos interpretações muito estritas do uso de verbas públicas, não necessariamente moralizando seu uso, mas o burocratizando. Isso vem de uma visão mais estatizante, típica do governo atual. Ora o objetivo das (ou algumas) fundações é evitar a aplicação de todo o arsenal de leis públicas que tendem inviabilizar as pesquisas. Nós aqui, que não temos uma fundação, tivemos, por exemplo, o azar de termos os principais detectores pifados quase simultaneamente (note o plural, para quem pensar em estoque). Como são importados, cumpridas todas as etapas legais, agora após 3 anos, os novos detectores estão chegando. Você entende as consequências de pesquisas semi-paralisadas por 3 anos! Se pudéssemos seguir um trâmite menos burocrático teríamos importando em menos de um ano. Também quando ganhamos concorrência internacional para produzir um equipamento, por causa da nossa competência, temos dificuldades para assinar o contrato, pois o dinheiro a receber tem que estar previsto nas fontes de recursos do Tesouro e aprovado pelo Congresso. Etc. Isso não acontecia quando o CNPq era uma fundação real, antes da Constituição de 1988. Pode-se alegar que assim se evita desvio de dinheiro público. Tudo é uma questão de formas de controle, ou há quem acredite que no serviço público normal não há desvios? O aumento da burocracia tornam as compras mais caras e com material de pior qualidade. Mas no Brasil nós acreditamos que a melhor maneira de evitar corrupção é infernizar a vida dos honestos.
Eu seria prudente em tomar lado nesta questão.
Carlos Alberto
Marcelo, se a fundação da sua universidade teve um gerenciamento inadequado isso não se aplica a todas ou ao modelo. Essas experiências deveriam servir para se descobrir alguns mecanismos para se evitar desvios de conduta e não acabar com que tem se apresentado como solução.

Anônimo disse...

A nota da reitoria da UFMG e a explicação do professor de bioquímica da UFMG gastam as palavras sem esclarecer nada. O mesmo aconteceu na UnB na época do Sr. Timothy. Fizeram a mesma tentativa de achincalhar a imprensa (como tem feito a ADUNB em relação ao Correio Brasiliense) para se refugiarem na retórica de uma imunidade moral conquistada por favores e desfavores de compadrio. Como se fossem imunes às fraquezas humanas como riqueza, avareza, ambição, corrupção...
O discurso é o "do inimigo externo" (a imprensa) que quer denegrir a imagem da Instituição. Forma superficial, pretensamente ardilosa, engana-bobos, de esconder o cancro, de ocultar as escaras morais, de não se ver no espelho...falta de coragem, de brieza, de cidadania.
Ardilosamante rasteiro.
Universidade, desentranha teus podres!
Universidade, mostra a tua cara!
Imprensa Livre Antes que Tardia!

Anônimo disse...

Prof. Pimenta, a lógica se encarrega de demonstrar que você está completamente equivocado na função de assessor de imprensa:

1) Se o EM distorceu algum fato, você não demonstrou qual.
2) Se o EM não investigou, é porque a FUNDEP não respondeu nem ao jornal, nem a qualquer outro.
3) Se o EM clamou por liberdade de imprensa, é porque foi vítima de um juiz truculento a pedido da UFMG (isso sim é um fato que merecia ser PUNIDO pelo CNJ)
4) A UFMG não deveria precisar explicar nada para um jornal se divulgasse o que faz com o dinheiro público, ao invés de esconder de todo mundo.
5) O EM não atacou a FUNDEP, apenas divulgou o pouco que o TCU divulgou, coisa que é seu dever como jornal.
6) O TCU não elogiou a FUNDEP, não é esse o seu papel. Isso não é verdade.
7) Se o TCU está pensando em rever sua decisão, isso tem a ver com pressões que está recebendo de gente poderosa, inclusive o governo, que está criando coragem para editar um decreto para permitir a continuidade dos atos irregulares. Não se esqueça que figuras ilustres e poderosas das Fundações de Apoio fizeram contratos irregulares com meia Esplanada.
8) Se algo está funcionando bem ou mal na FUNDEP, ninguém sabe, porque a entidade é uma caixa-preta.

Por fim, quem deveria falar pela FUNDEP era o seu dono, o Reitor. Ao invés disso, mineiramente reuniu aliados para uma audiência na Câmara, na qual não havia ninguém com posições opostas à dele. Isso é o jeitinho mineiro típico de lidar com a crise.

Tudo o que li tem cheiro de porco, nariz de porco e cara de porco. Um suíno imenso, de 462 milhões de kilos de dinheiro do povo, que não foi convidado para o festão.

HULK

Anônimo disse...

Professor Pimenta é uma gracinha, devia abandonar a academia e fazer teste para novela, adora fingir que não está acontecendo nada... pelo menos ia ganhar uma grana extra fazendo comercial de pasta de dentes!

Adriano Pimenta disse...

Pena que eu não posso dizer o mesmo, pois tem gente que não mostra a cara! Diga à figura que quem tem que abondonar a academia é ela, pois não sabe nem ler... não estou fingindo que não há nada, apenas peço que se apure o que há de real e não falácias.

Marcelo, por favor, essa celeuma tem que ser esclarecida: 1) não sou contra a denúncia na imprensa, nem contra a apuração de fatos, mas sou contra uma "caça às bruxas", como na inquisição, na qual bastava apontar o dedo para alguém e chamar essa pessoa de bruxa para que ela fosse, no dia seguinte, queimada em praça pública; 2) minha posição é contra o EM e suas publicações apócrifas e distorcivas. Por isso, peço que você publique o texto da Certidão emitida pelo Ministério Público Federal (MPF) e assinada pelo procurador da República, Tarcísio Humberto Henriques Filho. trata-se da prova de que o EM está veiculando matérias falsas.

Que se apurem os fatos e as denuncias verdadeiras e responsáveis.

Adriano Pimenta

Marcio Carneiro disse...

Caro segundo anônimo.

Esse foi o pecado original na UNB. Sob a alegação de que o processo publico de gerencia financeira é excessivamente burocrática.

E não sejamos inocentes. As fundações de formento foram criadas justamente para burlar o processo normal de contratações e licitações.

Mas também facilitou o mau uso de verbas. Verbas que deveriam ser publicas, mas eram jogadas na mão de empresas particulares. Por isso os antigos conselheiros da UNB não acharam nada demais mobiliar a casa oficial do reitor da unb da maneira que fizeram.

Não vejo que a interpretação do TCU seja errônea. Já que mesmo administrada por particulares, a verba é usada por órgãos públicos.

Anônimo disse...

Tá me cheirando a bandidagem... Essa fundações fazer um mal mostruoso as universidades públicas. Os picaretas que não pesquisam, não orientam e geralmente são profssores ruins se achegam a essas instituições do terceiro setor para roubar e enriquecer as custas do dinheiro público. Autonomia já. Fora Fundações do Roubo!

Anônimo disse...

Acorda Pimentinha! Eu ainda acho você bonitão demais para ficar socado num laboratório! E quanto a abandonar a academia, isso já aconteceu e saí vomitando!

Anônimo disse...

Marcio Carneiro,
um dos defeitos de toda essa história é que há um julgamento da UFMG baseado no que ocorre na Universidade de Brasília. Uma generalização absurda! Mas, ao contrário do que você tende a fazer entender, não existe enganos nem tentativas de burlar nada, apenas uma forma de viabilizar aquisições que se tornariam quase impossíveis pelas tais leis. Por favor, não confunda - se as leis fossem mudadas para dar maior dinâmica às licitações, isso as deixaria menos "públicas"? A atual lei de licitação é apenas uma forma de se proceder e não funciona bem para todos os casos. O TCU está generalizando a interpretação para outros tipos de administrações. As "Organizações Sociais" criadas no governo passado para viabilizar instituições como o LNLSS (o síncontron de Campinas) já começam a sofrer com isso. A administração de um grande laboratório não é igual a uma repartição pública. Isso é uma visão burocrática que tende a inviabilizar a pesquisa científica no Brasil. Ora, nada disso implica em usom indevido. Nem obviamente estão livres de desvios as instituições que dizem seguir as leis de licitação nem eles são necessários nas fundações e organizações sociais. Se existem desvios devem ser punidos e que se investigue como evitá-los. Um conselho fiscal independente costuma resolver. A propósito, as fundações de amparo a pesquisa costumam exigir que a verba dada ao pesquisador seja administrada por esse tipo de fundação. Seria isso melhor ou pior que deixar por conta do pesquisador, como também se faz? Deveria o pesquisador, usando verbas de origem pública, administrá-las de acordo com as leis de licitação? Seria isso viável?
O que se passou na Universidade de Brasília é lamentável, mas não deve servir de régua universal de julgamento. E nossas leis e instituições, mesmo o TCU, estão muito longe da perfeição. Podemos e devemos tentar aprimorar face a realidades objetivas e não opiniões bacharelescas.
Carlos Alberto

HULK disse...

Carlos Alberto, vc tem razão, em parte.

De um lado, a Lei burocratiza demais os investimentos em pesquisa. De outro, o gasto de recursos públicos deve ter controles mínimos e não pode ser feito totalmente como se fosse iniciativa privada.

HULK

Anônimo disse...

Hulk,

longe de mim achar que não se deva ter controle. Acho bom dizer que minha pesquisa tem se desenvolvido usando, diretamente, poucos recursos públicos brasileiros. E nem dirijo instituição alguma, não pertenço a universidades, nem a fundações e não moro em BH (nem em Niterói). Não estou diretamente envolvido mas conheço os problemas de quem os enfrenta. Até porque minha pesquisa é beneficiária desses lutadores (daí o "diretamente"). E muitos anos atrás fui diretor de instituição de pesquisa federal. Ainda bem que com outras regras públicas. Na época que saiu a atual legislação achei que iria ser uma ajuda e orientação. Não dirigi muito tempo sob ela. Hoje vejo que as interpretações cada vez mais restritivas do TCU e do MP vão inviabilizando pesquisas que exigem maior dinâmica. Se essa discussão mudasse do denuncismo para a procura de soluções, todos ganharíamos. Estado de Minas à parte... (nem sequer o leio).
Carlos Alberto