quinta-feira, 23 de abril de 2009

Coluna de Biotecnologia: indústria versus academia

Oi pessoal,
Teremos a partir de hoje um novo colunista no blog, o bioquímico Bruno Damasceno. Ele trabalhava na Fundação Oswaldo Cruz e está atualmente nos Estados Unidos. Os temas abordados irão se concentrar em bioquímica e inovação biotecnológica.
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Começamos com a interação da indústria com a academia (que em tese, é a Universidade), dando um exemplo do que se passa na China.
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As relações índústria-academia na biotecnologia
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Sem dúvida alguma a interação indústria-academia e um dos meus assuntos prediletos. Acho que isso se deve a influencia da montagem de uma empresa júnior de biotecnologia durante os meus anos de graduando pelo bacharelado em Bioquímica pela Universidade Federal de Viçosa e de ver meu pais tão deficiente nesse setor.
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O fato é que essa crise financeira global tem proporcionado novas oportunidades em biotecnologia para os países emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China, os BRICs),uma vez que o mercado empresarial biotecnológico dos chamados países desenvolvidos esta se rearranjando, engolindo a seco não só esta crise especificamente, mas o esgotamento do seu mercado consumidor tradicional e a competitividade de empresas sediadas nos BRICs.
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A única forma de se sair bem de uma crise como essa e aliar quatro qualidades essenciais a competitividade: agilidade, inovação, dinamismo e baixos custos. Dessa forma, grandes empresas americanas, europeias e japonesas (algumas inclusive bastante tradicionais), estão simplesmente trocando o ambiente dos antigos departamentos internos de P e D (pesquisa e desenvolvimento), que já não conseguem mais serem competitivos, por novos arranjos produtivos.
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Esses arranjos podem variar desde a compra de empresas de biotecnologia menores, mais ágeis e criativas, novas relações com as universidades, terceirização da pesquisa para empresas contratas unicamente para essa função, a transferência do seu setor de P e D para os países emergentes em função dos baixos custos apresentados por esses países, ou alguma combinação destas estrategias.
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A revista Chemical and Engineering News, da Sociedade Americana de Química (ACS) mostra em sua edição de 10/11/2008 como as relacoes industria-academia estão menos distantes e frias, com maior liberdade de ação e criatividade, onde e inclusive permitido o compartilhamento de dados, recursos humanos e espaço físico entre a universidade e a empresa, como no caso da união AstraZeneca e Columbia University Medical Center. Isso tudo porque a empresa necessita da criatividade e ciência básica inovadora da universidade e enquanto esta precisa de novas formas de financiamento para estar sempre na fronteira do conhecimento, um casamento de interesses perfeito.
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Por outro lado, Organizações de Pesquisa por Contrato (em inglês, Contract Research Organization, CRO), são parecidas com as nossas cooperativas e processos de terceirizações, onde cientistas demitidos formam empresas menores, mais ágeis, menos burocráticas, mas criativas e acima de tudo com salários menores e por tempo determinado. Junte-se a isso parcerias publico-privadas, nos quais o Estado fornece toda a infra-estrutura física e administrativa.
. Neste sentido, você terá a estrategia chinesa utilizada nas cidades-tecnológicas, como o China Medical City [assista um vídeo aqui]. Assim, grandes empresas como Ely-Lilly transferem seu departamento de P e D para a China, ou fazendo contrato com CROs chinesas, enquanto que empreendedores chineses constroem suas empresas biotecnológicas, sendo CRO a principio, ate obterem independência e competitividade.
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Novos empregos são formados na China e abre-se espaço para a volta de milhares de chineses bem educados nas entranhas do império americano.
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Enquanto isso, no Brasil...

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