sábado, 25 de abril de 2009

PhD Mobral: Vamos escrever a tese de nossos alunos ?

Oi pessoal,
Vejam o texto que recebi de um leitor de nosso blog. Ele é pesquisador da área de ciências da vida e um "anarco-conservador", como o Wolverine. É o máximo que posso falar dele. Nosso heroi é jovem e não quer problemas com a Capes ou CNPq. Como estou mesmo na Lista Negra da Capes, tô pouco me lixando com o que pode me acontecer daqui pra frente.
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Nosso colaborador mostra mais uma face da fraude acadêmica no Brasil e que serve para a Capes ostentar mais e mais títulos de Doutor-Mobral para os eleitores idiotas de Lula. Nunca tinha me ocorrido que este tipo de crime poderia estar acontecendo nas nossas barbas - e logo eu, um caçador profissional de bandidos.
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Preciso ter umas lições com o Wolverine.
Vamos ao seu texto ?
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Marcelo,
Tenho visto com freqüência um problema na academia e fico cada vez mais desapontado: sou requisitado para ser da banca de mestrado ou doutorado. Recebo com antecedência o manuscrito da tese/dissertação, leio-o, fico feliz em poder colaborar e as vezes até preocupado, pois o texto parece tão bom que não dá pra melhorá-lo.
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Daí, vou a defesa e me desaponto: uma apresentação pobre, periclitante, com conceitos errados e denunciadora, já que mostra que o candidato não entendeu o que ele mesmo (supostamente) escreveu! Na arguição a tragédia humana se completa: a cada pergunta ao candidato, o orientador é obrigado a responder pois o candidato não sabe nada. Realmente não foi ele quem escreveu a tese.
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Já vi alguns casos em que o próprio candidato admite que ele não fez "aquela parte", que ela foi feita por um colaborador, e depois ele diz isto de "outra parte" e então "mais outra", não sobrando nada para ele mesmo. O que a banca faz? Entre constrangida e, na dúvida, aprova-o assinando embaixo de uma fraude acadêmica, passível de, inclusive, discussão de fraude administrativa dentro da instituição. Aliás uma pergunta: o que fazem as comissões de ética das universidades?
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Roteiro clássico resumido: o orientador escreveu a tese; o aluno fingiu que escreveu e defendeu; a banca faz de conta que o aluno merece o título ou é coibida inconscientemente pela “produção” do orientador e nota do curso [7 é a nota máxima da Capes], e o aprova.
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Final feliz para todos: o orientador tem mais uma “orientação concluída” no seu Lattes, o aluno é agora doutor e a banca fez a política da boa vizinhança, pois quem sabe no futuro algum de seus membros não precise do mesmo tipo de favor... Também “ganha” o Brasil (CNPq e Capes) que tem mais um doutor, já que é da “quantidade que tiraremos a qualidade”.
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O incrível é que alguns professores são mais rigorosos como referees de periódicos internacionais do que com teses/dissertações defendidas na instituição deles, ou mesmo pelos seus próprios alunos. Tem até pesquisador 1A do CNPq que faz isto!
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Fico pensando em professores doutores que tive anos atrás, que tinham feito teses ou dissertações muito boas, mas que depois nunca mais produziram nada, nem orientaram ninguém e ainda davam aulas com conhecimento atrasado ou mesmo demonstravam que não sabiam do que estavam falando (todo mundo teve professor com título de doutor desta maneira). Hoje tenho plena convicção que não foram estes caras que escreveram suas próprias teses, trabalho que ficou pro orientador. Estes, na falta de paciência e tempo para orientar o aluno, que precisa aprender a pensar e por no papel, escreveu ele mesmo a tese. Isso porque “a ciência não pode parar” e o cientista não tem “tempo pra perder com o aluno”.
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Quem se prejudicou foram os alunos (como eu) que ficaram sem ensinamento adequado nas disciplinas oferecidas por estes “doutores” e, por vezes, se desanimaram com a vida acadêmica, desistindo dela. E ainda hoje, apesar do propalado discurso que o Brasil está entre as potências de publicação, etc... este círculo vicioso se mantém.
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Tenho vontade de não sair mais da toca dos X-men, mas sei que me é impossível. Meu consolo é que não mais aceitarei assinar uma fraude desta (duas já me bastam pra me deixar com remorso). Por isto agora te escrevo, pra tentar me redimir deste sentimento de culpa - de ter aprovado um PhD-Mobral uma vez...
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Wolverine
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22 comentários:

Anônimo disse...

Esses são os amigos do MHL... que gente mais baixo nível, que só serve para detonar nossa gloriosa pós-graduação.

Fora Volverine de direita, Fora MHL !

Anônimo disse...

Hahaahahaahahaahahaahaha...parece que a pessoa deste comentário de cima é a favor de que escrevam uma tese para ela. Ou vai ver que é ela que escreve tese pros outros...

Sapo Tucano disse...

Viva o companheiro Jorge Guimarães ! Viva a Capes !

Rodrigo disse...

Caro professor
Nao concordo com sua agressao aos eleitores de Lula , nao por concordar com a politica do nosso presidente, mas por ter memoria. O senhor lembra da Gratificacao de Estimulo a Docencia, pois eu lembro! Fiz greve contra ela em 2001. O LUla se elegeu em 2003.
QUero lhe fazer uma pergunta : O Senhor e contra ou a favor dos criterios de produtividade ? Pois nao minha opiniao sao estes criterios , que geram estas falsificacoes . E ainda colaboram para , esta sim imbecil , visao meritocratica da academia

Rebêlo disse...

Comentário esclarecedor do Wolwerine. Uma pena que seja apenas uma pequena ponta do enorme iceberg chamado alienação acadêmica :)

Anônimo disse...

Nas Exatas da UnB e outros locais também temos esse problema de Doutores Analfas ou Super-Mobral. No CDS e na Engenharia Civil da FT-UnB temos vários exemplos. Os supostos doutores servem muito mais para engordar os currículos Lattes dos professores orientadores do que para servir ao País com o que aprenderam durante o desenvolvimento do doutorado. Quase nada! São pessoas com auto grau de semi-analfabetismo científico e se brincar não dominam conceitos básicos como o de momento de inércia e momento fletor em estruturas. Outros formam sem saber sobre a equação de Darcy aplicada a percolação em solos. É só observar com cuidado o número de doutores formados no Brasil que estão sendo reprovados nos concursos públicos... Quanto o concurso é sério e não é direcionado, claro. Concordo que em parte isso é reflexo direto dapressão dos nossos órgãos de Fomento. Pior para os alunos e o dinheiro do contribuinte!

Anônimo disse...

Quando que isso virou novidade? O corporativismo nas universidades leva a isso. Nenhum colega quer se indispor com o outro e na banca tudo se resolve. Depois estes mesmos "Doutores" são aprovados em concurso para professor, pela mesma metodologia, com banca de amigos. UMA VERGONHA NACIONAL, E NA UNB ESTÁ CHEIO DISSO EM VÁRIOS DEPARTAMENTOS.
AGORA, FALAR MAL DOS CONGRESSISTAS TODOS SABEM, ENTÃO PORQUE FAZEM IGUAL????

Juan José Verdesio disse...

Ao anônimo que se ofendeu pro ser eleitor de Lula e ser contra o sistema meritocrático:

Cometes um erro de falsa oposição Se há fraudes como o mencionado de teses escritas pelo orientador não quer dizer que a meritocracia não deveria existir. é o memso que o que propos o falso Doutor que é o Christovam Buarque que propos eliminar as Cãmaras de representantes porque há muitos corruptos. Se a democracia não está funcionando corretamente devemos corrigi-la. O mesmo vale para o nosso sistema de pós-graduação. Se há pseudoprofessores e professores corruptos não quer dizer que devemos eliminar o Doutorado ou qualquer sistema que permita a progressão funcional dos professores pelo mérito. Se o mérito é falso devemos criar normas de detecção da fraude e formas de punição.

Se quiserem saber porque Christovam Buarque não é Doutor e nem poderia ter sido reitor pelas normas atuais posso explicar em outra mensagem.

Anônimo disse...

Caro Colega,
Sugiro que desencane de lula e outros moluscos. Sao temas interessantes e essa fixação acaba fazendo parecer que se ele sair vai ficar tudo bem... e é isso que eu temo. A coisa toda desandou bastante desde o inicio da era fhc (e ainda estamos nela, apesar de lula). Eh interessante buscar esse historico e avaliar melhor a questão. De outra forma fica parecendo so uma manifestação de ódio tão idiota quanto a dos adoradores de lula... Acorda !

Anônimo disse...

Ok, concordo que isso acontece mesmo. Todo mundo deve ter conhecimento de pelo menos um exemplo desse tipo de fraude em seus programas de pós. Só fiquei com uma questão na cabeça: se essas pessoas se tornam professores, como passam nos concursos??? Afinal, até onde sei, é necessário fazer uma prova de conhecimentos específicos ? É ou não é?

Bechara disse...

Marcelo,
Disso eu já sabia. É um velho desvio herdado da época dos catedráticos. Quem era famoso, não queria ter seu nome vinculado a trabalhos mal escritos, então ele mesmo os escrevia. O aluno faz o trabalho experimental (carrega o piano), que nem sempre é bem discutido entre o aluno e professor, e o orientador pensa e escreve os trabalhos (relatórios, resumos de congressos, teses, artigos). Infelizmente, alguns professores continuam a “maltratar” seus alunos com esta postura (falta de respeito ao aluno e de compromisso com suas obrigações de orientador).

Conheço um deles, que chegou recentemente a manifestar LER de tanto digitar. Infelizmente, muitos pós-graduandos ainda são titulados hoje como Mestres e doutores sendo analfabetos em redação científica.

Abraço,
Etelvino Bechara

Anônimo disse...

O Anônimo de 26 de Abril de 2009 23:32 acertou no alvo. No CDS e na Civil da UnB dissem que o única dificuldade é entrar. Depois que entrou pra sair dar-se sempre um jeito. A dissertação e a tese serão terminadas nem que seja pela multiplicação do trabalho de várias mãos (do orientador e outros alunos que também sabem escrever). Ali mestre e doutor dar como capim verde em beira de estrada. Jogam fehadinho o "baba" da CAPES!!!! Segundo a CAPES tem programa lá até com nota 6. Imagino a arrogância. Vixe!

Anônimo disse...

Pessoalmente creio que Wolverine tem razão. O nível dos doutores está cada vez mais baixo. Aliás, o título está perdendo o valor (se é que já teve algum). O que a gente vê nas ciências humanas é simplesmente ridículo. Tem doutor que não conhece concordância nominal.

Também queria saber porque o C Buarque não é doutor

A volta do X9 disse...

Não foi nessa Engenharia Civil que o cara da Finatec que teve os bens sequestrados pela justiça fez seu doutorado necentemente? Tudo para ser um dia reitor, mas o MPDFT cortou o barato do cara! Sei que o atual presidente da Fubra fez no CDS. O Balaio de gato é grande nessa UnB...

Rodrigo F. disse...

Resposta a Juan José
Caro, não cometo nenhum erro de falsa oposição. O problema sao os critérios de produtividade , que FHC tentou generalizar, e depois Lula foi pelo mesmo caminho com o PL 7200/06 , felizmente esquecido em alguma gaveta do congresso. Estes critérios obrigam os estudantes a fazerem especificamente aquilo que o tema de suas teses pede . Vejamos se consigo explicar sucintamente :
Imagine um estudante de Fisica de Partículas tal estudante precisa ter conhecimentos em topologia , Geometria diferencial e outras partes da matemática , porem não há tempo , para este estudante se aprofundar , portanto ele aprende o que precisa e constantemente recai em erro , por nao ter aprendido, apenas decorado(O orientador e que define o que e necessário). E isso ocorre o tempo todo , talvez a insegurança venha dai , o pos graduando sabe que não domina aquele tema , varios colegas comentam, que passam por isso!!! Ate que ponto esta ignorância parcial não pode levar a um erro conceitual ?
Acerca da meritocracia, existem outros aspectos como os estudantes que necessitam de assistência estudantil . Mas este e outro tema. Na minha opiniao a meritocracia e apenas um escudo para proteger as classes dominates nas universidades.
Comentario muito longo desculpe !

Anônimo disse...

Não esquecendo dos notórios plágios cometidos por pesquisador 1A em programa nota 7 e que incólumes ainda estão e, aparentemente, sempre estarão. A impressão que tenho é que, sem o escrutínio da imprensa e sem a pressão da opinião pública, a universidade é ainda mais corrupta que nossas câmaras, assembléias e palácios.

Anônimo disse...

Como alguém disse nos comentários, o texto apenas exibe a ponta de um iceberg, a questão é de grande profundidade e complexidade, no sentido mais estrito dessas palavras, e não vai ser resolvida com textos e medidas simplistas.
Não se deve adotar uma postura de condenar totalmente o aluno, pois ele é fruto de um sistema montado, muito antes do Governo Lula, que a meu ver tem cumprindo, dentro de suas possibilidades de forma competente, apesar dos deslizes,como todos nós os temos, sua missão, mas aqui não cabe discutir isso. Temos que buscar soluções reais e harmonizadoras para essas questões e discutí-las, o mais que possível, fora do contexto de preconceitos e impregnações ideológicas, geralmente de grande pobreza interior, como a referência que o Sr. faz aos eleitores de Lula, que são gente , brasileiros, de todos os níveis e classes sociais e que merecem o devido respeito. Só sua referencia preoconceituosa a tais eleitores, entre os quais me incluo, já desabona sua capacidade e competencia para escrever sobre o que quer que seja, pois está difundindo ideais já há muito superados em nossos dias. Enquanto não tivermos um debate sério e respeitoso só estaremos espalhando discórdia e desunião e isso é contra qualquer princípio moral ou filosófico e nos afasta da solução de qualquer problema.
Com o devido respeito que voce certamente o merece por sua competencia e larga produçao acadÊMICA, PEÇO TAMBÉM O RESPEITO AOS SERES HUMANOS QUE TRANSITAM POR CAMINHOS APARENTEMENTE DIFERENTES do SEU.
Precisamos de muita humildade todos para poder avançar na condição de seres humanos, éticos e respeitosos.

Anônimo disse...

Marcelo, aprecio muito teus textos, já tive até comentários meus aqqui publicos, acompanho teu blog e também teus trabalhso acadêmicos, e acredito que tens todo o direito de manifestar tua posição política. Mas cuidado para não deixár que ela interfira no teu blog e no conteúdo deste, oq ue o "Wolverine" diz está certíssimo, já presenciei mais de uam vez, mas se eu fosse petista não teria espaço aqui para dizer o mesmo? Se queres realmente ser "Ciência Brasil", por favor reduza a carga política dos teus textos, ou deixe claro que é opinião pessoal.
Abraço

Rodrigo F. disse...

Poucas vezes vi a direita tão raivosa , estou assustado . Em toda a universidade existe uma polarização , que começa a tornar contornos perigosos . Sera que em breve vamos estar caçando uns aos outros ?
Como na epoca da ditadura , as pessoas esquecem aquilo que deveriam lembrar . Estes critérios de produtividade a arrogância académica intitulada meritocracia sao coisas muito anteriores ao governo Lula , nao acho que Lula faca um bom governo!!! MAs precisamos ser justos , tem um post na coluna a vez do estudante . Que defende os mesmos critérios que geram estes fenómenos denunciados por Wolverine . Entao um pouco de coerência e necessários . Defende se ou nao a meritocracia . Se o problema sao os critérios que critérios seriam justos? Pois quando não há fraude , ha a exclusão de grande parte da população do acesso ao conhecimento. E sao os trabalhadores , que sustentam esta instituicao , logo deveriam ter o direito de acessa la .
Rodrigo petista

Wolverine disse...

My name is Wolverine. Coloquei um problema no artigo: a fraude perpetrada por professores que escrevem a tese de seus alunos. Que me importam as ideologias deles? Ou a do MHL ou mesmo a minha? Que me importa se a CAPES ou CNPq fazem pressão sobre os pesquisadores para formar recursos humanos? Então basta uma pressão pro doutor se corromper e virar um fraudador de um documento acadêmico? Qual a diferença deste PhD e de um político que por causa da pressão da reeleição recebe um por fora da empreiteira? A culpa não é da CAPES, nem do CNPq. A culpa é só do orientador, do seu aluno e da banca (eu incluso uma vez). Pouco importam as ideologias neste caso.

Rodrigo F. disse...

NAO concordo CARO Wolverine . Se isto fosse um caso isolado tudo bem . Mas nao e !!!! A culpa nao e de nenhum individuo , a culpa e do sistema . E o sistema precisa ser modificado .

Anônimo disse...

vamos fazer defesas de doutorado na
UnB com a participação de todos os alunos.