sábado, 4 de abril de 2009

MHL fala sobre plágio no Estadão

Oi pessoal,
Vejam o que deu no Estadão na quinta-ferira passada (02/04/2009). Dei entrevista para a jornalista Karina no dia anterior. O tema foi o meu predileto: fraude na ciência.
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Universidades recorrem a software contra plágio
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Karina Toledo escreve para O Estado de SP
02/04/2009
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Preocupadas em combater o plágio em trabalhos acadêmicos, instituições de ensino superior têm adotado programas de computador que ajudam o professor a identificar os casos suspeitos. Recentemente, a Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Faape o Senac SP aderiram à ideia. A Universidade Anhembi Morumbi e a Universidade Cruzeiro do Sul utilizam esse tipo de ferramenta desde o início de 2008.
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Alguns desses softwares estão disponíveis gratuitamente na internet. Os mais elaborados, em geral pagos, analisam cada parágrafo do documento enviado pelo aluno e o compara com o conteúdo de bilhões de sites da internet e de algumas bibliotecas eletrônicas, elaborando um relatório como índice de coincidências encontradas.
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Esse é o caso do Safe Assign, um dos mais usados no País. O programa também compara o trabalho com todos os outros já submetidos à sua base de dados. “Isso permite ao professor descobrir, por exemplo, se o aluno está reaproveitando uma pesquisa já apresentada em anos anteriores”, explica Emerson Fabiani, coordenador da Escola de Direito da FGV. “O software não apenas identifica o trecho copiado como aponta o endereço eletrônico do conteúdo original”, conta.
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O professor do Mackenzie Ismael Silveira utiliza dois outros sites para combater a fraude: www.plagiarismdetect.com e www.plagium.com. Com base em um documento, eles fazem a busca na internet por textos similares. “Mas esses programas não são infalíveis, é preciso tratar o problema na raiz”, diz o professor, que defende ações para conscientizar os alunos da importância que os trabalhos acadêmicos têm na formação. “Quanto mais o orientador acompanha o desenvolvimento do trabalho mais improvável será o plágio”, avalia.
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O professor da Universidade de Brasília (UnB) Marcelo Hermes – coeditor das revistas científicas PLoS One e Comparative Biochemistry and Physiology – é usuário assíduo do site Deja vu (www.spore.swmed.edu/dejavu), que detecta plágio em artigos científicos. Ele identificou, entre 1990 e 2007, 386 trabalhos de pesquisadores brasileiros apontados pelo programa de varredura como suspeitos. “Apenas 29 casos foram analisados e 8 considerados fraude. Acredito que 90% desses casos sejam de autoplágio, ou seja, o autor faz uma maquiagem em um artigo seu já publicado e o submete a outra revista, o que é antiético.”
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Hermes ressalta que as fraudes aumentaram muito após 2001 e atribui o fato ao aumento da pressão por produtividade por parte das agências de fomento à pesquisa. “Estão mais preocupados com a quantidade do que com a qualidade da produção científica. Com o aumento no número de revistas científicas, as menos tradicionais aceitam publicar qualquer coisa.”
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Fonte: www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=62623.

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